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São José do Norte,13/08/2022

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Biden enfrenta dilema na troca da atleta Brittney Griner por um criminoso de armas russo

Foto: g1.globo.com
Biden enfrenta dilema na troca da atleta Brittney Griner por um criminoso de armas russo




Como o governo americano negocia a libertação da estrela do basquete feminino, usada como troféu pela Rússia para obter ganhos no momento mais tenso das relações entre os dois países desde o fim da Guerra Fria. Rússia condena Brittney Griner, jogadora de basquete americana, a 9 anos de prisão
Bicampeã olímpica de basquete, a americana Brittney Griner desembarcou no destino errado e na hora errada e paga um preço alto por isso. Uma semana antes de a Rússia invadir a Ucrânia, em 24 de fevereiro, ela foi detida no Aeroporto Internacional Sheremetievo, perto de Moscou, com um vape que continha óleo à base de cannabis. Rapidamente se transformou num valioso troféu para Vladimir Putin, chamado de bandido pelo presidente americano,
Ninguém, a essa altura do desacerto diplomático entre Rússia e Estados Unidos, tinha expectativa de uma sentença que a inocentasse. Aos 31 anos, Grinner foi condenada a nove anos e meio de prisão a serem cumpridos em uma colônia penal, tachada como traficante de drogas, que ela justificou ter autorização médica para usar para o tratamento de dores crônicas.
A dura sentença põe o presidente Biden num dilema complexo, praticamente de joelhos para obter a libertação de Grinner e trazê-la de volta para casa. O governo americano negocia com a Rússia uma troca desproporcional entre prisioneiros: Griner e o ex-fuzileiro naval Paul Whelan, condenado a 16 anos por espionagem, pelo traficante de armas russo Viktor Bout, que já cumpriu metade de sua sentença de 25 anos nos EUA.
Brittney Griner, jogadora de basquete americana, chegando a corte da Rússia
REUTERS/Evgenia Novozhenina
Conhecido como “Mercador da Morte”, Bout é o prisioneiro russo mais notório no país, por quem o Kremlin frequentemente intercede, tentando o retorno para Moscou. Ainda assim, a oferta dos EUA foi aquecida em banho maria pelo Kremlin, provavelmente à espera da comoção entre os americanos pela condenação de Griner.
Além da posse de cannabis, ilegal na Rússia, situação da atleta se complicou por ser gay num país hostil à comunidade LGBTQ+. A imagem da musculosa estrela da WNBA, imponente em seus 1,90m, causa desconforto e indignação cada vez que aparece em público, encerrada numa minúscula jaula de ferro e fadada à condição de moeda de troca.
A negociação divide correntes políticas. De um lado, os que defendem pagar qualquer preço pelo retorno de Griner, calcados na tese de que uma vida americana vale mais do que a de qualquer criminoso. De outro, os que argumentam que a troca porá em risco as vidas de outros americanos no exterior, que serão facilmente feitos prisioneiros.
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Atualmente, há mais de 60 americanos presos nessas condições.
Ao contrário de Griner, a maioria é acusada de espionagem. O jornalista Jason Resaian, do “Washington Post”, conhece esse lugar de refém. Correspondente do jornal, passou 544 dias preso injustamente no Irã, sob acusações de espionagem, colaboração com governos hostis e propaganda contra o regime, até ser libertado, em janeiro de 2016, também em uma troca de prisioneiros.
“Griner é mantida refém na Rússia e foi condenada antes de ser presa”, tuitou ele, após a divulgação da sentença da atleta. As autoridades russas insistem em dizer que ela não é refém e está sob custódia da Justiça — tese que só ecoa no público interno. Se o custo de trocar uma atleta por um criminoso é alto, o de não fazer nada por ela e deixá-la apodrecer numa prisão russa será mais elevado e penoso para o presidente americano.



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